CPI do Theatro Municipal quebra sigilo de secretário de Haddad

A Comissão Parlamentar de Inquérito responsável pela investigação do desvio de mais de R$ 15 milhões do Theatro Municipal de São Paulo aprovaram ontem a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Nunzio Briguglio, secretário de Comunicação da prefeitura de São Paulo.

Nunzio havia prestado depoimento para os vereadores integrantes da Comissão na terçafeira, mas segundo o vereador Quito Formiga (que preside a comissão), o secretário não convenceu. “”Ele não esclareceu nenhuma de nossas dúvidas. Disse apenas que não tem conhecimento de nada, apesar de receber e-mails e documentos (relacionados a contratações do Theatro Municipal).” Esses documentos mencionados pelo vereador são cartas e e-mails que supostamente comprovariam a influência de Nunzio sobre os contratos firmados pela fundação Theatro Municipal entre 2013 e 2015. Em uma das correspondências, o secretário se compromete a empenhar ao menos 150 mil no projeto, que nem sequer era conhecido oficialmente pela Prefeitura na época.

Segundo investigação do Ministério Público Estadual, havia um esquema de corrupção operando no Theatro Municipal que superfaturava contratos da entidade com artistas. O esquema foi delatado pelo ex-diretor da Fundação Theatro Municipal, José Luiz Herencia. Além de Nunzio, o esquema contava ainda com a participação do maestro John Neschling e com o diretor do Instituto Brasileiro de Gestão Cultural, William Nacked. A CPI quer ouvir ainda o ex-secretário da Cultura Juca Ferreira. Ligado ao Movimento Fora do Eixo, ele esteve à frente do Ministério da Cultura em dois momentos: de 2008 a 2010, durante o segundo mandato de Lula, e de 2015 a 2016, durante o segundo mandato de Dilma Rousseff.

Nunzio não é o primeiro secretário de Haddad a enfrentar problemas com a Justiça. O atual presidente da Câmara Municipal Antônio Donato deixou a Secretária de Governo após ser citado em gravações de investigados no esquema da máfia dos fiscais. Depois foi a vez de Valter Ferreira, preso na Operação Custo Brasil. Valter era Secretário de Gestão do Município. Em todos os casos, a Prefeitura se manifestou por nota alegando plena confiança nos secretários, reiterando o apoio à Justiça apesar de “estranhar o caráter seletivo das investigações”.

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