Sobre a decisão do TSE e os próximos passos rumo ao futuro…

O Brasil ficou dividido e inconformado, mas não exatamente surpreso, com a decisão tomada ontem pelo TSE, que por 4 votos a 3 decidiu não cassar a chapa Dilma-Temer. Foi uma situação bem similar àquela em ocasião da soltura de José Dirceu, que acabou sendo liberado por 3 votos a 2, gerando uma imensa revolta popular.

Guardadas as devidas proporções, o caso agora é bem mais grave, e se algo é bem mais grave do que um bandido como José Dirceu estar solto, é porque é grave demais. Contudo, é preciso analisar friamente tudo isso e tentar compreender os movimentos desse jogo político. Na atual situação, quem fechou com um dos lados ou está muito mal informado ou certamente mal intencionado.

Há de se considerar uma série de fatos antes de chegar a qualquer conclusão. O TSE, por exemplo, já tinha conteúdo para cassar a chapa Dilma-Temer há muito tempo. Mais especificamente, ele já poderia ter feito isso desde 2015. Por que, no entanto, o tribunal se calou durante todo esse período e resolveu atuar somente agora? Alguns podem pensar que tem a ver com a delação da JBS, mas é uma visão errada. A gravação envolvendo Michel Temer nada trouxe de novo acerca da campanha de 2014. O que esta gravação causou de diferente foi uma sensação de desconforto político para o presidente e seus aliados, mas juridicamente não havia ali qualquer item que pudesse incriminá-lo, principalmente no que diz respeito a sua campanha.

Sendo assim, por que o TSE não julgou o caso quando Dilma Rousseff ainda era presidente, mas se apressou em julgá-lo agora? Esta é uma questão importante a ser respondida.

De toda forma, o que mais pesou para a opinião pública foi o reconhecimento por parte de todos os ministros de que havia, de fato, irregularidades suficientes para a cassação da chapa. Se havia, por que então não cassaram? Essa decisão acabou pegando mal, criou um precedente perigoso e desmoralizou ainda mais o judiciário.

Além disso, é claro, há também a posição exposta por Gilmar Mendes, que alegou que se fossem cassar a chapa atual pelos motivos ali expostos, seria necessário cassar também chapas anteriores, inclusive das eleições de 2006. Há de ser levado em conta que, atualmente, se a chapa Dilma-Temer fosse mesmo cassada, Aécio Neves teria direito de assumir a presidência. Só que Aécio também está implicado nos mesmos esquemas. O que isso geraria? Outra cassação? E depois, quem assumiria o cargo? Rodrigo Maia, que também está implicado com a Justiça?

Outros pontos relevantes são aqueles que precederam a decisão do TSE em julgar a chapa. A Corte foi certamente movida por pressão política, principalmente em virtude das delações da JBS. Só que o acordo de delação da JBS foi feito por Rodrigo Janot, e houve claro intuito por parte da Procuradoria Geral da República em proteger ao máximo os delatores, dando a eles benefícios nunca antes dados a quaisquer outros. O que há por trás disso, afinal?

O problema maior em toda essa situação é que ela é um beco sem saída. Com a cassação da chapa, estaríamos desamparados e continuaríamos na mesmice institucional. Com a permanência de Temer ficamos com um governo enfraquecido, desmoralizado e com uma base dilacerada. Será milagre se ainda houver alguma governabilidade, o que é improvável de acontecer.

Michel Temer tende a permanecer no cargo, mas ficará lá, sangrando até o fim, um pouco a cada dia. Quando chegar o fim da linha e as eleições de 2018 surgirem, a população terá que escolher entre os mesmos partidos que aí estão. A confiança do eleitor na política estará deteriorada ainda mais do que está agora.

O futuro, portanto, é incerto.

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3 comentários sobre “Sobre a decisão do TSE e os próximos passos rumo ao futuro…

  1. O cenário que se desenha para 2018 é a eleição de alguém novo, que não tenha nada a ver com esse sistema podre. Discordo da análise de quem vê esta situação de terra arrasada favorecendo Lula e o PT. A maioria esmagadora do população não quer saber de ninguém que esteja envolvido nessa sujeira, ninguém do velho esquemão corrupto que vigora desde o início da Nova República. Isso pode representar o perigo da eleição de um aventureiro demagogo, mas fazer o quê? É um risco que o eleitor está disposto a correr. Que Deus abençoe o Brasil.

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  2. O que eu digo para o MBL? Que é necessário Plano A, Plano B, Plano C e Plano D para a Presidência da República e também ter muitos candidatos para Senado e Câmara, principalmente pessoas de fora do sistema. Isso-a prospecção de candidatos- deve ser feito o mais rápido possível, já que existe um tempo para filiação partidária. Terceirizar responsabilidade para esquerdista é complicado porque jamais brigarão pelas causas liberais.

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  3. Aproveitando a oportunidade, era bom o MBL ter uma conversa com o Allan do Terca livre e com o Paulo Eneas do Crítica Nacional para entender o cenário político atual e traçar estratégias para a próxima disputa eleitoral.

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