Em delação, Duque diz que Graça Foster acertou propinas para o PT

O ex-diretor de serviços da Petrobrás Renato afirmou ter acertado propinas de 0,5% para o PT, a pedido da então presidente da petrolífera e Graça Foster, em contratos entre a estatal e a empresa italiana Saipem, para a qual ele foi chamado para atuar. Na ocasião, segundo Duque, ela era diretora de Gás e Energia da Petrobrás.

“Eu conversei com José Eduardo Dutra (primeiro presidente da petrolífera no primeiro governo Lula, em 2003) e trouxe pra ele essa questão dos dois projetos que a Saipem queria que eu participasse e que queria esse apoio na Petrobrás. Pedi para que conversasse com Graça para que se ela ajudasse a Saipem nesses dois processos, haveria uma participação de 0,5% do contrato para o PT”, relatou Renato Duque.

Ele disse que, após a conversa com Dutra , que também foi presidente do PT, e a então diretora de Gás e Energia da estatal, Graça Foster, recebeu a resposta positiva para o pagamento de propinas.

“O Dutra conversou com a Graça e voltou com a resposta afirmativa: ‘Está de acordo, vai ajudar no que puder, e fica certo 0,5% para o PT. E tem outra demanda. Que você separe 2 milhões de dólares. Um pra mim e um pra ela. O meu eu vou precisar em 2014 pra campanha em Sergipe. O dela eu não sei qual vai ser a destinação’”.

Apesar do suposto acerto, Duque afirmou que o pagamento ‘não se concretizou’.

O ex-diretor da Petrobrás ainda relata ter tido uma reunião com Graça Foster em época anterior ao suposto acerto.

“Graça Foster, quando ela assumiu a diretoria de Gás e Energia, ela me chamou no gabinete e disse: ‘eu sei que foi feito, que é feito, e eu sei o que tem que ser feito. Eu só não sei fazer. Eu só preciso da sua ajuda para que isso aconteça’.”

O depoimento foi dado na ação movida pelo Ministério Público Federal na qual Duque é acusado de crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

Segundo a Lava Jato, Duque integrou um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro para favorecer a italiana Saipem na contratação de obras da Petrobrás.

Os procuradores sustentam que o ex-diretor de Serviços da estatal petrolífera e outros acusados se utilizaram de transações bancárias nas contas da Hayley/SA, offshore uruguaia que mantinha contas na Suíça e que, posteriormente, remetia os valores como simulação de investimentos na sua subsidiária Hayley do Brasil.

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