Por que a imprensa focou em acusação que não podia provar contra Temer, mas ignorou aquilo que era realmente grave?

Imagine que você teve acesso a 39 minutos de uma conversa entre um empresário e o presidente da República. Você é um jornalista conhecido e pode trazer um imenso furo, uma reportagem avassaladora que irá desestabilizar totalmente a estrutura do governo, além de poder te dar ainda mais credibilidade.

Agora, você tem duas opções. A primeira é focar no que realmente importa, naquilo que é grave. Você ouviu a conversa e descobriu que o empresário disse ao presidente que tinha um “infiltrado” no Procuradoria Geral da República, alguém capaz de mexer os pauzinhos e evitar que ele fosse devidamente punido, e que a reação do presidente foi totalmente omissa diante de tal afirmação. Por outro lado, você tem um trecho desta mesma conversa em que o presidente diz “Tem que manter isso”, dentro de um contexto que mal dá para compreender, em uma gravação cheia de ruídos ininteligíveis.

Qual foco você, como jornalista, daria à sua matéria?

Um jornalista comprometido com a verdade e com os fatos teria dado ênfase total no primeiro caso, porque é algo grave. No mínimo um crime de prevaricação, e no máximo talvez até cumplicidade. Mas esta não foi a decisão tomada por Lauro Jardim, nem por qualquer um dos outros jornalistas que o seguiram.

Toda a imprensa brasileira resolveu focar em uma só coisa: a suposta compra do silêncio de Cunha por Michel Temer. Na gravação, contudo, isso não fica claro em momento algum. Na realidade não se ouve em qualquer parte da conversa algo que leve a esta direção. O que se tem, somente, é o empresário dizendo que está ajudando a família do ex-deputado e uma resposta de Temer completamente displicente, sem parecer se importar muito com o caso.

Por que ignorar o que era realmente grave e focar naquilo que, até o momento, não há sequer como sustentar? Por que ignorar uma atitude grave de um presidente que ouve um sujeito lhe contar de suas falcatruas sem tomar qualquer medida para focar naquilo que não há como realmente provar? Ou, melhor ainda, é justo questionar: Por que a imprensa inteira, com todos os seus jornalistas bem relacionados, com todos os contatos que possui no poder judiciário, resolveu focar apenas neste detalhe da conversa, que é totalmente vago, para desprezar por completo o que havia de mais concreto em toda a conversa?

Estariam nossos jornalistas dispostos a gerar uma ebulição social, trazendo novamente à tona o caso de Eduardo Cunha, ou eles teriam somente cometido um equívoco coletivo?

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12 comentários sobre “Por que a imprensa focou em acusação que não podia provar contra Temer, mas ignorou aquilo que era realmente grave?

  1. É lamentável ver que vcs não entenderam nada. Eu não votei no Temer e nem nutro simpatia por ele, mas dizer que ele cometeu algum crime é algo inadmissível no contexto apresentado, armaram uma cilada para o presidente, seria cômico se não fosse trágico. O Joesley marcou a conversa, conduziu toda a conversa, relatou um monte de crimes que já eram de conhecimento do MPF e gravou, tudo com aval do MPF e da polícia Federal. Esperavam que o presidente fizesse o que?? que ele denunciasse o empresário, com que prova? que ele desse voz de prisão? ele simplesmente ouviu e ficou quieto, que é exatamente o que o MPF esperava que ele fizesse.

    Se o MP faz isso com o presidente da república, imagina com um cidadão comum.

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  2. Não, nenhuma coisa nem outra, eles (jornalistas) seguiram a determinação dos que passaram o furo de reportagem, o MPF, eles, não queriam que o foco fosse o procurador, pense, até hoje todos elevam o MPF como uma instituição , incorruptível, feita de super-heróis, não são, e esse fato comprovou isso, são homens comuns, com suas vaidades, e, alguns, com caráter deturpado , são pessoas normais, também passiveis de defeito, mas a instituição não admite isso, são os senhores das verdades, nem sempre verdadeiras…

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  3. Só pra gerar uma ebuliçao social mesmo..esses jornalistas gostam de gerar polêmicas mesmo..Em relaçao ao joeswley mexer os “pauzinhos” nao falaram nada.

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    1. Concordo com você seja por supostamente comprar o silencio ou ser conivente com a obstrução da lava-jato eles precisam ser punidos. Mas a pergunta do MBL foi: Porque focaram o fato e todo o furo de reportagem no frágil argumento da compra do silêncio?

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  4. Gente, infelizmente a nossa imprensa não é profissional e nem séria! Cada um procura dar o “furo” primeiro, não importando as consequências. O que fizeram nessa semana é muito grave e com custos enormes ao “Brasil”. Ser patriota é acima de tudo ter bom senso e pensar no país acima das vaidades pessoais!

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  5. O erro foi o STF nao ter cassado a chapa toda la atras, agora esperemos a condenaçao do Lula para depois sim pensar em novas eleiçoes, por favor, isso tudo foi premeditado né…

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  6. Para começar a conversa se ele não tivesse nada mesmo o empresário mem teria ligado para o presidente para falar de certos assuntos ainda mais desses ou você acha que alguém que não tenha relacionamento vemais e te procurar para você resolver citações que o teu cargo te proporciona a ainda recomendar gente de confiança para executar certamente não é postura de um presidente preo.cupado com a população brasileira.

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